O que leva alguém a retornar repetidas vezes aos confins da Terra? Para Nicki D’Souza, não é apenas a emoção da exploração — é a magia da natureza, as histórias das pessoas e os ritmos em constante mudança das paisagens remotas. Conversamos com Nicki sobre listas de desejos, ursos polares, encontros inesquecíveis e muito mais…
"Acabei em um navio de expedição totalmente por acaso, e fiquei imediatamente cativada."
"Você nunca apenas vê a Aurora Boreal — você a sente!"
Olá Nicki! Você passou décadas no mar. O que mantém a chama acesa?
Nicki: Novos roteiros, novos lugares empolgantes para visitar. Mesmo ao retornar às mesmas áreas, a natureza está em constante mudança, então você sempre vê ou vive algo diferente!
Onde começou sua paixão por essa vida?
Nicki: Minhas primeiras férias de longa distância na Tailândia definitivamente mudaram algo em mim. Conheci viajantes com histórias incríveis. Depois, completamente por acaso, acabei em um navio de expedição no meu primeiro cargo. Fiquei imediatamente fascinada!
O que a levou a se tornar Líder de Expedição?
Nicki: Foi um encaixe natural. Sempre fui organizada e boa em conciliar múltiplas tarefas, e tenho um interesse profundo pelos lugares que visitamos. A logística, os destinos — tudo se juntou e pareceu um passo natural para mim.
Você explorou desde extremos polares até postos avançados tropicais — você ainda tem uma lista de desejos de viagem?
Nicki: Sim! Minha lista de desejos de viagem só aumenta quando converso com nossos hóspedes. Eles são bem viajados e me contam sobre os lugares por onde passaram, e fica claro que ainda há tanto a explorar!

Encontros no Ártico
Conte-nos o que torna a viagem Islândia–Groenlândia tão especial.
Nicki: Rumamos ao nordeste da Groenlândia, que é incrivelmente remoto e raramente visitado. A paisagem é deslumbrante — fiordes impressionantes, montanhas íngremes e a possibilidade de avistar ursos polares. Além disso, incluir uma estadia na Islândia — um dos países mais extraordinários — antes ou depois torna tudo ainda mais espetacular.
Como é explorar o Scoresby Sund?
Nicki: A paisagem é absolutamente de tirar o fôlego. Isso, combinado com a emoção de procurar o sempre elusivo urso polar e de ver gigantescos icebergs flutuando com facilidade nos fiordes, torna tudo verdadeiramente inesquecível.
Você também visita Ittoqqortoormiit. Como é a comunidade?
Nicki: Os groenlandeses são simpáticos, embora muitas vezes tímidos. Estão sempre dispostos a responder perguntas, mas as diferenças linguísticas podem tornar conversas mais profundas um pouco desafiadoras.
Como os hóspedes reagem ao praticar caiaque entre icebergs?
Nicki: Eles simplesmente amam! É pacífico, silencioso, e você se sente distante da agitação da vida cotidiana. É um daqueles raros momentos em que todo o resto desaparece.

Cultura, natureza, maravilha
Quais são alguns destaques do cruzeiro pelo Ártico canadense e da Aurora Boreal?
Nicki: Tomara que ursos polares e a Aurora Boreal. Embora nunca seja garantido, há grandes chances de ver a Aurora Boreal. Elas nunca são iguais — sempre aparecem em formas e cores diferentes — e é absolutamente mágico.
Você pode nos contar mais sobre suas experiências com a Aurora Boreal?
Nicki: Honestamente, vê‑las nunca cansa. Não importa quantas vezes você testemunhe a Aurora Boreal, ela ainda consegue tirar o seu fôlego. Nunca há o mesmo espetáculo duas vezes — às vezes sutil e fantasmagórica, outras vezes ousada e eletrizante. Na Islândia, dizem: "A dama verde está dançando no céu noturno." É uma descrição tão apropriada. Há algo de sobrenatural na maneira como as luzes se movem — graciosa, misteriosa, viva. Você nunca apenas vê a Aurora Boreal — você a sente!
Como é a experiência no Parque Nacional das Montanhas Torngat?
Nicki: É deslumbrante. Há tanto ursos‑negros quanto ursos polares na região, e os fiordes são especialmente belos no outono, iluminados por cores!
E quanto a L'Anse aux Meadows?
Nicki: Absolutamente fascinante! Você caminha bem ao lado dos vestígios dos mais antigos assentamentos vikings. As casas reconstruídas ajudam a imaginar como os vikings viviam — isso realmente traz a história à vida.
Como os hóspedes reagem aos elementos culturais dessas viagens?
Nicki: Os encontros culturais despertam muitas perguntas e conversas a bordo. Os hóspedes frequentemente querem saber mais — seja sobre o canto de garganta inuit, a escultura tradicional ou a política e identidade groenlandesas. Tivemos guias inuítes a bordo, e os hóspedes ficaram fascinados com suas vidas nessas comunidades remotas.

Bastidores
Qual foi seu encontro com a vida selvagem mais inesquecível?
Nicki: No ano passado vimos narvais no Ártico canadense. Foi um momento muito especial.
Qual é uma coisa que viajantes do Ártico frequentemente se esquecem de levar — mas realmente não deveriam?
Nicki: Câmeras. A maioria dos hóspedes traz apenas smartphones, que não conseguem capturar bem a vida selvagem nessa região devido à distância. Binóculos também são essenciais.
Houve algum momento em que você pensou: “Não acredito que este seja meu trabalho”?
Nicki: Este trabalho me levou a lugares sobre os quais eu nem havia ouvido falar antes, e agora os conheço intimamente. E a vida selvagem — é como entrar nas páginas da National Geographic. Há dias em que eu olho ao redor e penso: como tive tanta sorte? Testemunhar essas maravilhas, compartilhá‑las com outras pessoas e continuar aprendendo com os lugares e as pessoas que visitamos — é um privilégio que nunca tomo como garantido.
O que você espera que os hóspedes levem consigo da expedição?
Nicki: Que o sonho deles se realizou. Para muitos, essas viagens estão na lista de desejos de viagem há anos, talvez décadas. Espero que partam sentindo‑se realizados, inspirados e para sempre transformados pelo que viram e vivenciaram. Mais do que isso, quero que compreendam quão frágil é o nosso planeta. A beleza daqui é de tirar o fôlego — mas também é vulnerável. Espero que retornem com uma apreciação mais profunda e um desejo de proteger o que viram. Mesmo pequenas mudanças fazem a diferença. Se saírem com maravilhamento no coração e um sentimento de responsabilidade, então fizemos algo significativo.

Latitudes Meridionais e Eclipses Solares
O que mais se destacou para você na América do Sul no ano passado?
Nicki: Que mesmo entre portos movimentados ainda há tanta vida selvagem — seja ao longo da costa ou no interior. É uma mistura perfeita de cidades históricas, paisagens e cultura.
Como a América do Sul se compara com outros continentes?
Nicki: É intensa. As paisagens, a história e as pessoas se destacam. Poucos lugares na Terra concentram tanta diversidade em um único continente. É uma verdadeira fusão de história natural e humana.
Conte-nos sobre liderar a viagem do eclipse.
Nicki: A agitação e a empolgação antes do evento foram incríveis. Muitos dos hóspedes eram caçadores de eclipses — alguns até tinham camisetas listando quantos haviam visto. E então o próprio eclipse... foi inesquecível!

A Conexão Humana
Como vocês incorporam a educação ambiental em suas viagens?
Nicki: Temos um excelente programa de ciência cidadã a bordo de nossos navios, além de uma série de palestras de alta qualidade. Tudo é pensado para informar e aumentar a conscientização.
Como vocês constroem relacionamentos com as comunidades locais?
Nicki: Visitamos vilarejos remotos onde as comunidades locais nos recebem com demonstrações culturais, contação de histórias, música e comida. Essas visitas costumam ser guiadas por anfitriões locais, oferecendo aos hóspedes a oportunidade de ver o dia a dia pelos olhos de quem vive ali. Vai além do turismo. Trata-se de obter uma compreensão mais profunda da vida no Ártico – seus desafios, sua resiliência, suas tradições e sua identidade em transformação. Esperamos que os hóspedes saiam com menos equívocos e com maior respeito por essas comunidades. Há muita força e beleza na forma como as pessoas se adaptam a ambientes tão remotos e frequentemente adversos. Em última análise, desejo que os hóspedes vejam o Ártico não apenas como um destino, mas como o lar de pessoas com culturas ricas e histórias poderosas.
Quais desafios vocês enfrentam ao liderar em áreas remotas?
Nicki: Um dos maiores desafios é a comunicação e a coordenação com as comunidades locais. Em muitas áreas remotas, o acesso à tecnologia é limitado e o ritmo de vida é muito diferente. O senso de urgência a que estamos acostumados nem sempre se alinha com os ritmos locais, e isso pode exigir muita paciência e flexibilidade. Organizar grupos maiores também traz seus próprios obstáculos – especialmente quando a infraestrutura é mínima ou os horários não são precisos. Questões como controle de tempo ou logística de transporte frequentemente precisam ser ajustadas em tempo real.
Como vocês mantêm os hóspedes engajados ao longo de uma viagem?
Nicki: Começa com curiosidade e conexão. Eu faço questão de estar presente – no convés, em terra e durante as refeições – para que os hóspedes se sintam à vontade para fazer perguntas, compartilhar pensamentos ou simplesmente conversar. Esses momentos informais frequentemente dão origem a algumas das nossas conversas mais significativas.
Que conselho você dá para aspirantes a Líderes de Expedição?
Nicki: Seja infinitamente curioso e profundamente adaptável. É preciso gostar de trabalhar com pessoas tanto quanto gostar de explorar lugares. Você precisa prosperar em condições imprevisíveis, saber pensar rapidamente e acumular várias funções. E mantenha-se sempre aberto ao aprendizado – não há fim para ele!
O que você mais aprecia no seu trabalho?
Nicki: Ver a expressão no rosto dos hóspedes quando eles encontram algumas das maravilhas incríveis que visitamos. Aquele momento em que finalmente chegam a um lugar que imaginaram por tanto tempo – e a realidade os atinge. É verdadeiramente mágico!