"Entender nosso mundo, pontos de vista e ouvir um inuíte é algo que você não pode descobrir no Google."
"Que a Groenlândia seja um país onde cuidemos de nossas terras e do meio ambiente."
Poucas pessoas podem falar pela Groenlândia do jeito que Aleqa Hammond pode. Como a primeira mulher a ocupar o cargo de primeira-ministra do país e defensora de longa data da cultura ártica e da proteção ambiental, sua voz carrega a força de gerações. Neste verão, Aleqa se junta ao Cruzeiro de Ida e Volta Islândia–Groenlândia da Swan Hellenic como especialista cultural a bordo e palestrante convidada. Conversamos com ela antes da viagem para falar sobre gelo, identidade e por que é preciso sentir o Ártico — e não apenas vê-lo. Do silêncio de Ittoqqortoormiit às entidades que dançam nas auroras boreais, as histórias de Aleqa oferecem algo que você não encontrará em um guia: verdade crua, orgulho cultural e um profundo apelo por viagens responsáveis na região mais frágil do mundo.…
O que inspirou sua paixão pela cultura ártica, pela política e pela defesa ambiental?
Aleqa: Eu viajei por sete semanas sobre o gelo marinho em 2002, e isso me transformou. Essa jornada mudou a forma como vejo tudo. Foi durante esse período que decidi fazer uma grande mudança na minha vida.
O que mais a entusiasma ao participar do Cruzeiro de Ida e Volta Islândia–Groenlândia?
Aleqa: É algo novo para mim. Viajei a essas regiões muitas vezes, mas sempre com um propósito diferente. Participar de um navio como este me proporciona uma perspectiva renovada.
Qual é a sua parte favorita de estar no mar?
Aleqa: Estar no mar me dá tempo para aprofundar minhas apresentações — sobre os desafios que enfrentamos como cultura, como país e como povo.

Cultura, Língua, Identidade
Qual a melhor parte de trocar reuniões governamentais por contar histórias a bordo de um cruzeiro de expedição?
Aleqa: Posso falar a partir do conhecimento tradicional e da experiência política. Autenticidade é muito importante para mim.
O que você mais gosta ao compartilhar a história e a cultura groenlandesa?
Aleqa: Gosto de contar a história de como o cristianismo foi introduzido e por que foi recebido com críticas.
Você fala seis idiomas — como isso ajudou em sua defesa global?
Aleqa: Conhecer várias línguas não tem sido a ferramenta mais importante para mim. A ferramenta mais forte que tenho são minhas raízes e minha origem inuíte.
Como as tradições groenlandesas e a vida moderna coexistem em Nuuk em comparação com os povoados remotos?
Aleqa: Não somos dinamarqueses, e não somos inuítes vivendo como antigamente. Somos uma nova combinação de ambos, de uma forma maravilhosa — o melhor de dois mundos.
Para os passageiros que desejam se imergir na cultura groenlandesa nesta viagem, o que você recomenda?
Aleqa: Ouça a equipe conhecedora da região. Faça perguntas. E, mais importante — veja com olhos atentos.
O que você espera que os passageiros levem consigo ao saírem de suas palestras e explorações na Groenlândia?
Aleqa: Entender nosso mundo, pontos de vista e ouvir um inuíte é algo que você não pode descobrir no Google. Espero que os passageiros saiam com novos conhecimentos, insights sobre a vida inuíte e com compreensão da importância de proteger o Ártico.

Clima, Mudança & Responsabilidade
Se você pudesse levar líderes mundiais em um cruzeiro como este, o que gostaria que eles vissem?
Aleqa: Eu lhes mostraria quão rápido as geleiras estão derretendo e falaria sobre a importância de ter políticas ambiciosas de adaptação climática.
Como o turismo responsável apoia a Groenlândia enquanto protege suas tradições e o meio ambiente?
Aleqa: Precisamos de um turismo de melhor qualidade, não de mais turismo. Que a Groenlândia seja um país onde cuidemos de nossas terras e do meio ambiente. A Groenlândia não quer o turismo de massa que a Islândia tem.
Qual é a única lição que você espera que os passageiros levem desta expedição?
Aleqa: Ouçam minhas palestras sobre o novo cenário geopolítico no Ártico — e como os interesses da Rússia, da China e dos EUA estão impactando a região.

Beleza Remota, Vozes Reais
O que torna Scoresbysund tão especial?
Aleqa: É o maior sistema de fiordes do mundo. As primeiras pessoas que viviam lá foram realocadas à força, então tem uma história ao mesmo tempo bonita e triste. E é rico em vida selvagem — muito precioso para nós, groenlandeses.
O que você mais lembra sobre visitar Ittoqqortoormiit?
Aleqa: A dureza. O silêncio. O isolamento. Isso realmente me marcou.
Como a vida em Ittoqqortoormiit reflete a resiliência groenlandesa?
Aleqa: Mostra a importância de políticas fortes para pequenas regiões, para o meio ambiente e para o manejo da vida selvagem.
O que você acha que mais surpreende os visitantes sobre a Groenlândia?
Aleqa: A grandiosidade — a escala, a imensidão e a beleza. O resto do mundo não sabe o que temos aqui.
Quais são alguns equívocos comuns sobre a Groenlândia?
Aleqa: As pessoas pensam que somos dinamarqueses ou que pensamos como europeus. Mas é o contrário. Somos um dos povos mais pequenos do mundo — mas poderosos.
Como o isolamento da Groenlândia molda seu modo de vida?
Aleqa: Estamos profundamente conectados à natureza e ao meio ambiente, com uma cultura e uma história fortes moldadas pela vida em uma das regiões mais severas do mundo.
Como viajar pelo mar realça a experiência no Ártico?
Aleqa: Você escuta a água, o gelo, os pássaros e o derretimento do gelo. Não se pode experimentar isso do ar ou de qualquer outra forma. O Ártico precisa ser sentido e percebido.

Encontros com a Vida Selvagem & Lugares Sagrados
Que animais os passageiros devem observar em Scoresbysund e no Fiorde Kong Oscar?
Aleqa: Narvais estão na região. Mas eles estão passando por dificuldades por causa das mudanças climáticas. Não perturbe seu habitat — ouça os locais.
Por que Ivittuut, a cidade mineradora abandonada, é significativa para a história groenlandesa?
Aleqa: É algo muito importante – colonização em seu pior. Faço apresentações sobre isso. Também incluo quando Trump quis comprar a Groenlândia.
Qual foi a paisagem mais deslumbrante do Ártico que você já viu?
Aleqa: Uummannaq — minha cidade natal. A vastidão, a natureza selvagem e a beleza são imensas. Crescer lá foi um presente de Deus.
Como é testemunhar o sol da meia-noite ou as auroras boreais a partir do convés do navio?
Aleqa: É de tirar o fôlego — para os turistas e para nós. Dizemos que são as almas dos nossos antepassados brincando no céu.
Como a Islândia e a Groenlândia se comparam?
Aleqa: A Islândia é uma região subártica. A Groenlândia é o Ártico. Se você acha que a Islândia é selvagem, espere até ver a Groenlândia. Ambas são belas e únicas.