
Nosso Mundo
Segurança a bordo e muito mais com Jenny Koivunen da Swan Hellenic
21 de agosto de 2024|5 min de leitura


Oi, Jenny, como você começou a participar de viagens de expedição?
Jenny: Quando eu era criança, havia um estaleiro perto de onde eu morava, na Finlândia, onde estavam construindo um enorme navio de cruzeiro. Para mim, era como se estivessem construindo uma nave espacial! A partir daí, eu sabia que um dia queria trabalhar em barcos. Comecei a trabalhar a bordo de navios em 2012 e, a partir de 2016, fui oficial em navios Ro-Ro, quebra-gelos e navios de cruzeiro. Entrei na Swan Hellenic em 2021, ajudei no lançamento do SH Vega e do SH Diana, e trabalho no SH Diana desde abril de 2023.
Que desafios você encontrou desde que entrou na Swan Hellenic?
Jenny: O mais desafiador foi fazer parte da equipe de lançamento dos três navios em 18 meses. Além disso, quando começamos, a COVID trouxe muitos desafios. Depois disso, vieram restrições que tornaram difícil viajar pelo mundo. Por outro lado, essa também foi a coisa mais gratificante. A equipe inteira trabalhou em conjunto, então nosso maior desafio teve a melhor recompensa!
O que você mais gosta em trabalhar na Swan Hellenic?
Jenny: Aqui temos uma atitude muito aberta e positiva. É um clichê, mas somos como uma grande família! E quando os hóspedes percebem isso e vêm nos dizer que temos uma tripulação maravilhosa e que estamos fazendo um ótimo trabalho, me sinto muito orgulhosa de todos nós e de fazer parte desta equipe!
Você já foi oficial de segurança. Pode nos descrever essa função?
Jenny: O oficial de segurança é um dos únicos cargos a bordo que trabalha com todos os departamentos. Sua função é garantir que as diretrizes de Saúde e Segurança Ocupacional sejam seguidas e que toda a tripulação esteja preparada para qualquer tipo de emergência, desde pequenos incidentes até evacuações por helicóptero. Uma das principais responsabilidades é garantir que os equipamentos de combate a incêndio e de salvamento estejam sempre prontos. O oficial de segurança também é responsável por treinar toda a tripulação a bordo para suas funções em emergências, desde os bombeiros até os integrantes da equipe de maca. Exercícios e treinamentos semanais garantem que todos os tripulantes, dentro de suas respectivas funções de emergência, estejam prontos para qualquer tipo de incidente ou acidente.
Então, o que envolve a sua função de segundo-comandante?
Jenny: Temos três departamentos: Convés, Máquinas e Hotelaria. Sou a chefe do Departamento de Convés e supervisiono as operações do convés, incluindo a manutenção dos conveses, as operações de lançamento dos nossos Zodiacs e tenders e o trabalho com os oficiais de ponte. O segundo-comandante também é o segundo na linha de comando, dando apoio ao comandante.

O que você mais gosta na sua função?
Jenny: Ela oferece muita variedade! O cargo de segundo-comandante exige um amplo conjunto de conhecimentos e habilidades, e o aprendizado é contínuo ao longo da carreira. Embora parte do meu tempo seja dedicada a trabalhos burocráticos e tarefas administrativas, gosto muito do tempo que passo trabalhando no convés e na ponte.
Quais são os maiores desafios para você?
Como segundo-comandante, um dos maiores desafios é acumular várias funções ao mesmo tempo, desde atuar como oficial de proteção do navio designado até preparar as autorizações e a documentação necessárias para os portos que visitamos. Além disso, como chefe de departamento, preciso estar disponível para apoiar a tripulação e ser capaz de motivá-la a enfrentar as tarefas do dia a dia. Independentemente de cargo ou posição a bordo, o maior desafio é ficar longe de casa por longos períodos. Não é fácil, e há dias em que você pode sentir um pouco de saudade de casa. Mas contar com o melhor apoio de casa e entre nós torna o trabalho compensador. E também temos longas férias em casa, quando podemos pôr o papo em dia com as pessoas que amamos!
Como se torna um oficial de ponte?
Jenny: Todos os oficiais de ponte começam como juniores e vão subindo na hierarquia. Além de concluir a graduação em uma escola náutica e, para os cargos de oficial sênior, uma pós-graduação, é preciso ter um determinado tempo de serviço embarcado para obter as licenças, até chegar a comandante certificado. Também são necessários treinamentos e cursos adicionais, que frequentamos regularmente para manter nosso nível de competência atualizado. Todos os oficiais, inclusive o comandante, começaram em cargos de entrada e foram crescendo na carreira.
Não há muitas mulheres nesse tipo de função. Como você se sente em relação a isso?
Jenny: No mundo todo, menos de 2% dos oficiais são mulheres. As mulheres que vieram antes abriram caminho para mim nesse setor, e estou aqui para tornar o caminho um pouco mais largo para as mulheres que vierem depois de mim. Felizmente, a mentalidade de que essa é uma profissão masculina, ou de que uma mulher não é capaz de exercê-la, está cada vez menos presente. A Swan Hellenic é muito atenta à igualdade de gênero e apoia meu crescimento profissional, o que é um dos motivos pelos quais adoro trabalhar aqui. Minha função não tem nada a ver com gênero, e tive a sorte de trabalhar com comandantes e outros gestores seniores que enxergam isso da mesma forma.
Qual é o seu conselho para meninas ou jovens mulheres que um dia querem exercer a sua função?
Jenny: Costumamos estabelecer padrões muito altos para nós mesmas e podemos facilmente achar que algo está fora do nosso alcance. Mas nunca tenha medo de perseguir seus sonhos. Você pode conquistar qualquer coisa a que se dedicar e pela qual trabalhar! No mundo marítimo, você pode ser minoria, mas não precisa ter medo de ser você mesma. Lembre-se de que não precisa se superexigir. Quando você faz o seu melhor, o seu melhor já é suficiente!